“Meu DNA é televisão, mas não tenho preconceito contra nenhum veículo”, conta o apresentador do CQC, Marcelo Tas
Em 1945, no nordeste brasileiro, nasceram duas personalidades: uma em Salvador, na Bahia e outra em Caetés, em Pernambuco. O primeiro, um adolescente estudioso, tornou-se um cantor e compositor que mudou uma geração. O outro, metalúrgico, alcançou, quem diria, a presidência do Brasil. Mesmo que nunca tivessem se encontrado propriamente, as semelhanças entre Raul Seixas e Lula são incríveis, e vão muito além da data de nascimento. É isso que o jornalista e blogueiro Marcelo Tas conta no capítulo “Lula metamorfose ambulante”, do livro Nunca antes na história desse país, lançado na quarta-feira, 04 de novembro, na livraria Saraiva do shopping Higienópolis, em São Paulo.
“Os dois se lançaram no mesmo ano, fracassaram e depois estouraram no mesmo ano” disse Tas. “Parece que o Raul escreveu a biografia do Lula”, ironiza o apresentador, parodeando a letra da música Metamorfose ambulante: “Se hoje eu te odeio, amanhã lhe tenho amor. É Sarney, Collor”, define o âncora do CQC - Custe o Que Custar - da TV Bandeirantes. O evento atraiu um grande número de fãs e famosos, além da imprensa.
O livro, o primeiro do apresentador, reúne diversas frases ditas pelo presidente durante seu mandato, e foram colocadas em capítulos com nomes de profissões como advogado, marqueteiro, economista, comediante e várias outras que, de acordo com Tas, Lula “exerce sem diploma universitário”. O primeiro a receber o autógrafo foi publicitário Washington Olivetto, presidente da agência W/Brasil.
Entre os presentes, estava o jornalista Marcelo Duarte, autor dos livros da série O Guia dos Curiosos, lançada também pela editora Panda Books. Duarte foi o responsável pela compilação das frases de Lula e delegou a Marcelo Tas a tarefa de organizá-las e comentá-las. “Durante um ano guardei frases engraçadas que saíam do jornal, nas revistas, achando que isso poderia dar um livro” conta o jornalista. “E um dia me ocorreu que a pessoa para fazer isso era o Marcelo, por toda a carreira dele, que sempre fez uma crítica política muito divertida”.
O colunista de humor da Folha de S.Paulo, José Simão, escreveu o prefácio do livro. Em meio a muitas risadas, Simão lembra que escreveu, a pedido de Tas, um texto “a favor do contra”, e ressaltou a importância da crítica humorística. “O humor não permite essa palavra pudico. O humor tem que ser rasgado”, ironiza o jornalista.
Sobre o lançamento do livro Honoráveis Bandidos no Maranhão, do jornalista Palmério Dória, que também aconteceu no dia 04, Marcelo Tas garante que não combinou as datas e que dá total suporte ao feito. “Acho uma vergonha que as livrarias do Maranhão não vendam esse livro. É uma prova que o Brasil ainda está na Idade Média quando o aspecto é liberdade de expressão”, protesta Tas. O livro, que revela os escândalos da família Sarney, foi impedido de ser vendido no estado e foi lançado no sindicado dos jornalistas do Maranhão.
Bem humorado, Tas conversou com a imprensa sobre os meios de comunicação. “Eu me considero um comunicador que usa várias ferramentas para conseguir me comunicar. O meu DNA é televisão, mas eu não tenho preconceito contra nenhum veículo” revela o apresentador. Mesmo assim, revelou que seu meio predileto é a internet, nela mantém o Blog do Tas. “A web é onde pra mim acontece a grande suruba da comunicação, é meu lugar favorito”, dispara o blogueiro nada pudico. Ao final, relembrou seus famosos personagens que o marcaram na televisão, como o repórter Ernesto Varella, o professor Tibúrcio e o Telekid. “O meu preferido é o Prof. Tibúrcio. O Ernesto Varella eu também tenho o maior carinho, mas o Tibúrcio é o mais radical de todos. O Telekid é uma espécie de percussor do Google” brinca o apresentador.
O autor de Nunca antes na história desse país destacou que o livro não é um ataque a Lula, é um grande registro da frases mais polêmicas do presidente. Confiante, destinou um exemplar autografado que foi entregue nas mãos do presidente, que, por sua vez, garantiu que vai ler. A dedicatória foi respeitosa: “Com afeto e admiração do ‘cumpanheiro’”, grafado assim mesmo. Tas contou que aprendeu muito durante a composição da obra, e que conheceu e passou a respeitar muito mais o presidente. Talvez se não fosse o fim do mandato de Lula, o livro pudesse ganhar mais uma edição. Quem sabe.