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30/10/2008 - 16h26 - Atualizado em 07/02/2012 - 21h19

O que a mídia não mostra

Por Cristiane Nascimento, 2º ano de Jornalismo

A exploração da miséria e violência por parte da imprensa é criticada

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Na sexta-feira, 24 de outubro, a Semana de Jornalismo da Faculdade Cásper Líbero foi encerrada com um debate que discutiu a ausência de determinados grupos sociais em setores da grande mídia.

Para a discussão, foram convidados Juarez Tadeu de Paula Xavier, jornalista, diretor do curso de Comunicação Social da Unicid e especialista em questões de afrodescendência, César Xavier, dirigente do grupo GLBT (Gay, Lésbicas, Bissexuais, Travestis, Transexuais e Transgêneros), Silvio Amorim, coordenador da Associação dos Moradores e Mutuários do Conjunto Santa Etelvina e Adjacências e Chico Nunes, professor da Cásper. O também professor Gilberto Maringoni foi responsável pela mediação da mesa.

Juarez abriu sua exposição comentando alguns conceitos que permeiam a mídia radical. Segundo ele, muitas vezes ela cumpre o papel cabível aos órgãos públicos, colocando em pauta questões ignoradas pela grande mídia. "Ao não cobrir o que acontecer nos extremos da cidade, a imprensa retira do leitor a possibilidade de compreensão da realidade que o cerca", apontou.

Ainda sobre o mesmo tema, Juarez foi questionado quanto às principais diferenças entre a mídia alternativa e a mídia radical. Para o diretor, a primeira mostra-se apenas como uma nova proposta do fazer jornalístico comum aos grandes veículos de comunicação; já a segunda, consiste em uma atuação muito mais crítica e também na sugestão de mudanças em relação a todo o sistema.

Amorin, por sua vez, relatou as dificuldades que a população de Cidade Tiradentes, bairro periférico de São Paulo no qual vive e apóia há 15 anos, enfrenta. "Lá temos 350 mil jovens sem biblioteca, sem cinema. Isso a mídia não mostra", protestou.

O líder comunitário criticou o abuso que intelectuais praticam em comunidades carentes. O assunto foi levantado depois que o coordenador do curso de jornalismo da faculdade, Carlos Costa, questionou-o sobre a reação da população do bairro ao assistirem a um documentário produzido por um sociólogo francês sobre Cidade Tiradentes. Segundo ele, a reação foi em sua maioria negativa. "Eles só mostraram uma face violenta e miserável. Periferia não é só isso", enfatizou.

Como salientou, essa é uma visão estereotipada, equivocada e externa à comunidade, que não retrata essas populações carentes de modo fidedigno. "Nós temos que dar voz a quem está engasgado há quase 500 anos nesse país", declarou, evidenciando o desprezo que a eles é direcionado.

César Xavier, do GLBT, falou do movimento gay de modo amplo, destacando que a "parada gay", realizada todos os anos na Av. Paulista, é na verdade, apenas mais uma estratégia do movimento. "Ela é um evento que consegue atrair a mídia como poucos". No entanto, apesar dessa alta visibilidade, o dirigente acredita que ela não dá voz ao movimento, "mas atribui a ele o olhar do outro sobre os homossexuais", pontuou.

Já o professor da Cásper Líbero, Chico Nunes, expôs em seu discurso os inúmeros projetos sociais e culturais promovidos com o apoio da instituição, tais como os grupos Dandara, Cultará e os Cafés filosóficos realizados mensalmente no parque Trianon. "Nos priorizamos as reflexões temáticas, que também possibilitem aos alunos o contato com lideranças e intelectuais", finalizou.