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20/08/2010 - 17h00 - Atualizado em 09/02/2012 - 12h10

Trajetória árdua por um livro poético

Lidia Zuin, 3º ano de Jornalismo

TCC “Os Dentes da Memória: Uma Trajetória Poética Paulistana” será publicado pela editora Azougue

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Arquivo pessoal
Renata D'Elia (esquerda) e Camila Hungria (direita)





















Os versos de Roberto Piva sempre estiveram presentes na vida da jornalista Renata D’Elia. Sua apreciação e curiosidade foram o incentivo para que ela conhecesse também os poetas Claudio Willer, Antonio Fernando de Franceschi e Roberto Bicelli, que nos anos 60 acompanhavam Piva. Foi publicando entrevistas com essas personagens no site de cultura da Faculdade, quando era editora, que Renata conquistou o interesse de Camila Hungria, sua amiga e também autora do TCC “Os Dentes da Memória: Uma Trajetória Poética Paulistana”.

O trabalho de conclusão de curso foi aprovado com excelência numa banca composta pelo escritor Joca Reiners Terron, pelo jornalista Miguel de Almeida e pela professora Daniela Ramos. Com orientação de Welington Andrade, o livro-reportagem foi aceito logo na primeira tentativa de publicação, pela editora Azougue. Com previsão de lançamento até o fim deste ano, a obra conta a história de 50 anos de amizade entre os poetas, entrelaçando recortes da cena cultural paulistana, bares, teatros e cinemas da capital que eles costumavam freqüentar.

As mais de trinta entrevistas feitas pela dupla, algumas com duração de até três horas, possuem um alto grau de detalhamento. As reuniões feitas, fosse na Cásper, num bar ou na internet, permitiam que ambas jornalistas trabalhassem juntas na edição, pondo as informações em formato depoimento. “Fizemos uma última revisão antes de montar o livro, que foi moldado como se fosse um documentário. Uma lia o que a outra fazia”, diz Renata. Além do auxílio fornecido pelo orientador, as duas contaram com a leitura crítica de Mônica Brincalepe, professora de História, e de amigos. “Livro-reportagem é um buraco negro: é difícil saber a hora de parar. A gente sempre quer fazer mais e mais...”

As dificuldades

Renata conta que apesar do bom relacionamento da dupla, a disponibilidade e o humor das fontes causou problemas. “Haja paciência e jogo de cintura! Levamos vários ‘bolos’. Tivemos que nos submeter a condições peculiares, como levar um poeta para passear no interior de São Paulo, pagar-lhe um almoço farto e depois ter míseros quinze minutos de entrevista ouvindo ameaças como ‘vou fazer uma macumba para vocês se não publicarem direito o que falei!’”, lembra.

Não suficiente, Renata comenta sobre quando ela e Camila foram até Santa Catarina para entrevistar uma fonte importante. “Um ciclone estava passando pela ilha. O lugar parecia uma cidade fantasma”. No dia seguinte, já na casa da personagem, a dupla foi impedida de anotar ou gravar seu depoimento. “Ele foi ficando nervoso com as perguntas, virou-se de costas e quase nos enxotou. Saímos de lá com dez reais no bolso e passamos um dia inteiro na rodoviária esperando o ônibus para voltar”, relata. Tudo isso depois de uma noite num chalé com problemas no botijão de gás, o que forçou as duas a jantar pizza ainda congelada. “Obviamente, hoje gargalhamos de tudo isso e encaramos como aprendizado. Achamos que tudo isso valeu a pena”.

As adaptações

Depois de terem sido aprovadas pela editora Azougue, Renata e Camila precisaram fazer entrevistas complementares e também escrever um novo capítulo final, por conta da longa internação e morte do poeta Roberto Piva, em julho. “Foi algo muito delicado para nós”, assume Renata. Foi necessário também que a dupla corresse atrás das partes burocráticas quanto à reprodução de fotos, cartas, bilhetes e recortes de jornais antigos. Para fechar, foram acrescentados prefácio e uma nova apresentação para a versão livresca oficial.



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