Tema da Oficina:
O uso de drogas ou substâncias psicoativas tem implicações complexas. Trata-se de um fenômeno multidimensional. A presente oficina tem como proposta colocar em debate essa temática, através da exposição de diferentes contextos de uso de drogas, com especial ênfase no caso das religiões brasileiras que se constituíram em torno do uso ritual da bebida psicoativa conhecida por designações como Daime, Vegetal ou Ayahuasca.
O caso destas religiões permite paralelos com outras situações e fenômenos, tornando-se evidente que a utilização de drogas e todas as práticas decorrentes dela devem ser entendidas como produtos culturais e históricos. Assim, esta exposição versará sobre diferentes usos de substâncias psicoativas, ocorridos em épocas e culturas distintas. Ao comparar o fenômeno das chamadas “religiões ayahuasqueiras brasileiras” com fenômenos similares nota-se que o consumo de drogas mobiliza fatores diversos, tanto de ordem mística quanto de ordem laica. Em todos esses casos tal consumo está relacionado tanto à organização de sistemas religiosos quanto à constituição de movimentos étnicos ou de reorganização cultural de certos grupos ou, ainda, associa-se à elaboração de práticas estéticas, só para citar alguns exemplos.
A exposição empreendida na oficina pretende, também, colocar a reflexão sobre a definição do termo “droga”, apontando para as transformações de seus significados ao longo da história e, simultaneamente, contextualizando o surgimento da distinção entre drogas lícitas e ilícitas.
Minicurrículo do palestrante:
Antropóloga; Doutora em Ciências Sociais pela Unicamp; Mestre em Antropologia pela USP; Pesquisadora do NEIP (Núcleo de Estudos sobre Substâncias Psicoativas); Professora da Faculdade Cásper Líbero.