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28/01/2010 - 16h47 - Atualizado em 10/02/2012 - 18h58

Livro sobre TV Gazeta é lançado em seu aniversário

Paulo Pacheco, 2º Jo A

Elmo Francfort refaz trajetória da emissora paulistana

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reprodução
Capa do livro Avenida Paulista, 900

No aniversário de 416 anos de São Paulo, a cidade ganhou uma emissora de televisão para chamar de sua: a Gazeta. Quarenta anos depois, a trajetória do canal da Fundação Cásper Líbero, que se confunde com a história recente da metrópole, é contada pelo pesquisador Elmo Francfort no livro Av. Paulista, 900: A História da TV Gazeta.

A obra, publicada pela Imprensa Oficial, integra a Coleção Aplauso, da mesma editora do Governo do Estado. O lançamento aconteceu no dia 25 de janeiro, na noite de aniversário da emissora. Centenas de personalidades e profissionais de diferentes épocas da TV quarentenária compareceram ao Teatro Gazeta para a noite de autógrafos.

Telões exibiam momentos marcantes da trajetória da emissora. Equipamentos antigos, datados da época da fundação, foram expostos no evento. A TV Gazeta exibiu links ao vivo no programa Todo Seu, de Ronnie Von, excepcionalmente apresentado ao vivo.

Elmo Francfort, de 27 anos, é também diretor da Associação Pró-TV e responsável pelo departamento histórico do Museu da Televisão. Outra publicação sua é o livro Rede Manchete: Aconteceu Virou História (2008). Nesta obra, o pesquisador mostra ser um fã de televisão que soube unir o útil ao agradável.

"Quando a gente faz o que gosta, vai longe. Acho importante essa paixão pela TV, justamente no sentido de preservar a própria história, seja da TV, do rádio, do jornalismo. Isso é valioso não apenas para mim, mas também para as pessoas que são do meio. É uma forma para que continuem a aprender e a fazer cada vez mais um trabalho que ajude o jornalismo a evoluir", disse Elmo.

Quem também compareceu foi a atriz Vida Alves, de 81 anos (fará 82 em abril). A protagonista do primeiro beijo da TV brasileira e fundadora da Associação dos Pioneiros da Televisão Brasileira lamenta a falta de interesse pela conservação da história da TV. "Acho difícil convencer autoridades, os governadores, os prefeitos. Estou sempre batendo nas portas. Um dia acontecerá [o interesse], mas ainda não aconteceu."

Vida, aliás, considera-se "predestinada". Além do beijo, até  então inédito, em Sua vida me pertence (1951), a atriz apresentou o primeiro programa regular em cores da TV brasileira, na Gazeta, em 14 de março de 1972: Vida em Movimento. O vestido azul e vermelho que estava em exposição foi usado por Vida na estreia e pareceu simples para uma ocasião tão importante. Ela se justifica: "O meu vestidinho era mais bonitinho, este é uma réplica. O capricho está sempre em concordância com o bolso e ele não era muito cheio. Mas, de qualquer forma, houve a intenção de colocar duas cores no vestido".

Apesar de - ou por - ser a menor das emissoras abertas, a Gazeta é lembrada por sua independência editorial e pela isenção jornalística. "Aposto que em uma TV grande um editor não pode trabalhar como redator ou como repórter. Em uma emissora pequena, não. Você redige o texto e, de repente, diante da necessidade, o editor-chefe chama para fazer um trabalho de repórter. Em uma TV de pequeno porte você consegue trabalhar em todas as áreas. É ideal para quem quer começar", diz Laerte Vieira, âncora do Jornal da Gazeta.

Outro que reconhece a liberdade proporcionada pela Gazeta é Leão Lobo, que saiu da emissora em 2002. O motivo foi uma crise, comparada por muitos à que extinguiu a Rede Manchete (1983-1999). Embora tenha passado por outros veículos que proporcionam independência jornalística, rádios Globo e Record, TV Bandeirantes , o apresentador, atualmente na CNT, recorda com saudade sua época na Fundação Cásper Líbero.

"Algumas emissoras são grandes, mas comprometidas. Aqui na Gazeta era uma maravilha. Eu amava trabalhar aqui, disse isso no depoimento que dei sobre a história da Gazeta e é o que eu sinto. É uma emissora de onde saí chorando e voltaria sorrindo, porque eu amo essa casa, deixei grandes e queridos amigos", relembra Leão.

Durante a pesquisa para a publicação, o autor de Av. Paulista, 900: A História da TV Gazeta revelou que aprendeu "que sempre é possível fazer a lei”. Ele ainda afirma que independentemente dos recursos adquiridos, o que vale é a forma de usá-los.

Ainda neste ano haverá mais programação relacionada à TV, em virtude do aniversário de 60 anos de sua inauguração no Brasil, em 18 de setembro. "Teremos uma exposição na Caixa Cultural e um evento homenageando os pioneiros. Este último ainda está só embrionariamente preparado, mas espero que seja na Sala São Paulo", antecipa Vida Alves.

Já Elmo Francfort esconde o jogo quanto a futuras publicações televisivas: "Surpresa, surpresa". Os admiradores da história da TV aguardam novas pesquisas que, certamente, serão fonte de estudo nas bibliotecas das principais faculdades de comunicação do país.