Processos midiáticos: tecnologia e mercado
Dois fatores influenciam fortemente os processos comunicacionais contemporâneos: a evolução tecnológica e a lógica de rentabilização monetária dos conteúdos em suas diversas formas e plataformas de distribuição. Concretizada especialmente nos espaços urbanos e estruturada pelos meios de comunicação, a sociedade contemporânea assume uma nova dinâmica na produção e consumo de bens simbólicos.
No âmbito das relações entre tecnologia e mercado, e destas com a Comunicação, à dimensão política cabe um papel dos mais importantes. São significativas as mudanças nos vínculos entre Estado e sociedade, empresas e consumidores. Têm a ver com a valorização da interatividade e com o emprego da tecnologia informacional, gerando importantes alterações no processo de formação da opinião pública e de elaboração das políticas governamentais e organizacionais, tornando necessária a redefinição das relações entre as esferas pública, privada e estatal. Fazem parte desse contexto a reivindicação de políticas voltadas para a democratização do acesso à tecnologia informacional e o debate sobre cidadania, assim como a disputa pela hegemonia na produção e distribuição de conteúdos nos diferentes suportes midiáticos.
As novas tecnologias de informação e de comunicação demandam abordagens teóricas e metodológicas também novas, e a pesquisa em Comunicação não pode se limitar aos tradicionais estudos dos mass media. A Comunicação contemporânea traz as marcas da convergência midiática; da relativização do tempo e do espaço nos ambientes comunicacionais; da redefinição dos processos de gestão, produção e distribuição de mensagens; do acesso desigual aos recursos tecnológicos e, ainda, da propriedade da informação e do conhecimento.
Os avanços tecnológicos provocam acentuadas mudanças não só na produção e distribuição de conteúdos informativos e de entretenimento, mas também nos modos de sociabilidade de indivíduos e grupos. Nessas condições, impõe-se a reflexão acerca da emergência das comunidades virtuais, suas inter-relações e suas criações coletivas. A reflexão inclui os novos ambientes de comunicação nas redes sociais e digitais, bem como as teorias das ciências sociais e políticas que analisam os processos sociais em sua interação com o capital humano, social e simbólico. Constituem ainda objetos de investigação as dinâmicas de gestão dos negócios de Comunicação, caracterizadas pela desregulamentação dos parâmetros praticados no planejamento de ações na mídia tradicional. E, ainda, a configuração da esfera pública de uma sociedade globalizada, digitalizada e desigual, na qual os temas da deliberação pública e da inclusão digital adquirem um papel central.
Assim, já não basta a utilização dos modelos teóricos que fundamentaram o pensamento comunicacional no século XX. As relações entre velha e nova mídia, entre tecnologia e mercado, devem ser trabalhadas de maneira dialética, ou dialógica. É nessa perspectiva que se entende aqui a linha de pesquisa “Processos midiáticos: tecnologia e mercado”, estruturada em torno dos seguintes eixos temáticos:
Produtos midiáticos: jornalismo e entretenimento
Na sociedade contemporânea, os produtos da mídia (re)elaboram simbolicamente fatos e conteúdos tanto do domínio da realidade quanto da ficção, gerando aproximações por vezes muito estreitas entre informação e entretenimento. Essas representações constituem fenômenos novos e objetivos da vida real, demandando, por sua vez, a atenção do campo de estudo da Comunicação. Nesta linha de pesquisa pretende-se investigar as narrativas da contemporaneidade e as produções que exploram o universo do imaginário e do divertimento. Também as relações entre jornalismo e espetáculo, entre a dimensão informativa e a dimensão lúdica e onírica das mensagens midiáticas.
Constituem objetos específicos de estudo desta linha os discursos jornalísticos e ficcionais da mídia, suas dinâmicas de produção e recepção, seus gêneros, formatos e suportes, suas características de linguagem e as relações entre forma e conteúdo. Reflexões sobre o sonoro e o imagético ajudam a compor o quadro investigativo, num contexto de hegemonia audiovisual. Leva-se em conta o caráter dinâmico desses fenômenos e as freqüentes hibridizações entre os mesmos.
No atual contexto de convergência tecnológica e de globalização, a produção jornalística tende a provocar o esvaziamento da dimensão pública da informação, favorecendo a presença, cada vez mais intensa, de temas de interesse privado, como o comportamento das celebridades. Coberturas assumem como pauta assuntos de interesse geral a partir de um recorte prévio, priorizando, na produção da notícia, a personificação e a dramatização da informação. O acompanhamento analítico e informacional tende a ser leve, breve e digerível. A ação política ocupa lugar secundário, ou menos proeminente. O significado das normas e valores é relativizado, num contexto em que as fronteiras entre os domínios da informação de interesse público e do entretenimento se diluem.
Por outro lado, o advento de novas tecnologias comunicacionais cria dinâmicas de informação e entretenimento também novas, envolvendo seus usuários em relações de interlocução que valorizam a dimensão lúdica e criativa na produção e fruição de mensagens. Ao mesmo tempo, produtos culturais e de entretenimento influenciam os modos como percebemos, questionamos e reavaliamos determinadas práticas políticas, tanto no âmbito formal-administrativo quanto informal e próximo à experiência concreta dos sujeitos. Nesse sentido, privilegia-se a reflexão sobre a formação da consciência crítica dos receptores das mensagens da indústria cultural e dos usuários dessas tecnologias.
A linha de pesquisa “Produtos midiáticos: jornalismo e entretenimento”, portanto, abre espaço para a análise dos produtos da mídia e das mediações socioculturais, envolvendo estudos sobre a produção e a recepção de mensagens, com os seguintes eixos temáticos de investigação: