O dia a dia de grandes locutores que têm verdadeira paixão pela profissão
Desde sempre o rádio gera curiosidade nas pessoas. Mesmo com a chegada da TV e dos jornais online, as rádios permanecem, até os dias de hoje, firmes como mais um meio de divulgação de notícias e entretenimento, ainda que realizando as adaptações necessárias. Pode parecer bobo ou inocente, mas quem nunca se perguntou quem é o dono daquela voz por trás da caixinha? Quem é, o que faz, como é estar ali?
É justamente fazendo perguntas como essas que muitos profissionais chegam às rádios. Em busca de fazer parte daquele mundo encantador que fascina seu público há mais de 90 anos, muitos jornalistas entram na faculdade de comunicação. Foi assim com Roberto Nonato, âncora do jornal da CBN II Edição e apresentador do programa Fato em Foco, também da rádio CBN. Ainda na adolescência surgiu o interesse pelo rádio e daí para faculdade e o primeiro emprego na rádio Beira Mar, no litoral norte de São Paulo, foi um caminho inevitável: “eu comecei mostrando o meu trabalho, fiz um teste. Fui aprovado para ficar apenas temporariamente, cobrindo uma outra pessoa, mas para a minha sorte essa outra pessoa acabou saindo da rádio. Foi aí que eu fiquei e comecei minha carreira”. Na época ele tinha apenas 17 anos e foi galgando degrau por degrau que chegou ao posto de âncora da CBN, com passagens por rádios como Eldorado (hoje Estadão ESPN), Jovem Pan 2 e Antena 1. Nonato nunca trabalhou com outra coisa que não fosse jornalismo, tendo feito gravações de cabine para a TV Globo e também narração de documentários: “é uma linguagem completamente diferente trabalhar com narração, não tem nada a ver com o que eu faço aqui na rádio”, diz.
Seu dia a dia começa cedo e já ouvindo notícias: “desde o momento que eu acordo já ligo o rádio e procuro saber tudo o que está acontecendo. É importante estar por dentro para que eu também não deixe nada de fora no meu jornal, para ter a certeza de que vamos abordar tudo. Estou sempre ligado em todas as emissoras”.
Conversar com Marcelo Gomes, narrador de futebol da CBN, é como reconhecer um colega de escola: jovem, amante do futebol e que sempre sonhou em trabalhar com rádio, com uma paixão pela profissão que transparece no seu jeito de falar. Assim como Nonato, o desejo de trabalhar em rádio aparaceu cedo e Marcelo entrou na faculdade de jornalismo apenas com o intuito de trabalhar em rádio. Com o pai trabalhando em uma emissora do interior de Minas Gerais desde os anos 60, Marcelo entrou para esse ambiente ainda criança, quando acompanhava o pai nos jogos: “eu ia por vontade própria, aprendia a mexer na aparelhagem, via como funciova a edição, tudo”.
Seu trabalho começou ainda na rádio da faculdade, uma emissora comunitária administrada pela UniBH, cobrindo esportes olímpicos em que havia menos pessoas para fazer a cobertura, como vôlei e basquete. Após a faculdade começou a trabalhar na rádio CBN, ainda em Minas Gerais, passando por todo tipo de função, fazendo apuração e cobertura de greves, até chegar ao posto de narrador de futebol. “Eu costumo brincar que a gente está jornalista esportivo, a gente não é. Em rádio todo mundo acaba fazendo um pouco de tudo: âncora, apuração. Tem que estar preparado para o que der e vier”.
Os dias que não tem jogos são um pouco mais tranquilos para ele, mas não menos trabalhosos, já que envolve a produção da transmissão e também dos eventuais entrevistados, além de lidar com reportagens especiais para a programação diária, envolvendo esportes em geral. O fator que para muitos é um inconveniente, no caso trabalhar aos finais de semana, já é algo comum para Marcelo: “às vezes a gente até estranha quando pega um domingo de folga e fica sem saber o que fazer”. Em dias de jogo, logo cedo ele já prepara o material da partida e da transmissão, além de manter contato com os ouvintes pelas redes sociais para dar uma agitada no pessoal: “começamos a interagir com o público bem antes da partida, umas duas horas antes do jogo já conversamos com o ouvinte e preparamos ele, tem que criar um clima, incentivando o público a participar”. Às quartas, quintas, sábados e domingos Marcelo não para, tendo que acordar cedo para se preparar e indo dormir tarde, já que após a saída do estádio ainda é preciso fazer a pós-produção. O local do jogo também influencia: “às vezes a gente viaja para cobrir um jogo na quarta em uma cidade e já precisa estar aqui na quinta para cobrir outro em São Paulo. Vamos supôr que o Santos vai jogar na Vila Belmiro às 21h50. A gente sai da rádio umas três da tarde e já fica lá no estádio direto e só saímos depois de uma da manhã para voltar para a capital. É intenso, mas cada ida é uma experiência única, uma história que a gente vai contar”.
Luiz Torquato comanda o Agito Geral na rádio Globo AM e também é locutor da Transamérica FM. Desde menino tinha o hábito de narrar futebol de botão e as partidas entre os meninos do bairro, exercendo um fascínio pelo rádio. Com o passar dos anos decidiu que era a profissão que ele queria para a vida, que queria mesmo era trabalhar com rádio. Passou em algumas rádios de Santos, sua cidade natal, fez testes e conseguiu um emprego em uma das rádios do sistema Globo. Depois passou pelas rádios Jovem Pan, Cidade, Metropolitana, Gazeta, entre outras até voltar para a Globo, em 2009. Na parte da manhã ele trabalha na Transamérica FM comandando o “Transamérica Hits” e durante a tarde e a noite está sempre nos estúdios da Globo, utilizando sua semana para preparar o que irá ao ar no final de semana, fazendo as pautas e vendo quem serão os entrevistados. Além disso, ele também reforça a equipe de produção do “Botequim da Globo”, que vai ao ar de segunda à sexta no Rio de Janeiro. “Dificilmente eu tenho um sábado ou um domingo livre, mas é gratificante, eu gosto”.
Radiojornalismo dá trabalho, não há dúvidas. Mas é apaixonante e recompensador.