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20/08/2010 - 17h13 - Atualizado em 03/02/2012 - 07h40

Uma História de futuro

Lucílio Correa

Há quatro décadas a TV Gazeta iniciava suas transmissões. A trajetória de pioneirismos e grandes momentos fizeram dela um símbolo de São Paulo

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Gazeta Press
O repórter-abelha (ou videorreporter), característico
do TV Mix em frente à fachada da Gazeta

Situada num dos pontos mais tradicionais da capital, a mais paulista das emissoras de TV completa 40 anos, em meio a vários projetos de renovação.

Ao longo desse tempo, as escadarias do número 900 da avenida Paulista tornaram-se uma espécie de monumento e ponto de referência na história da cidade. Desde 1978, quando a grande bandeira de São Paulo que adornava a fachada do Edifício Gazeta foi substituída pela inscrição em pedra da palavra Gazeta, os frequentadores acostumaram-se a referir-se à sede da Fundação Cásper Líbero pelo nome que identifica os veículos de comunicação instalados no local: as rádios Gazeta AM e FM, a GazetaEsportiva.net e a TV Gazeta.

O aniversário de quarenta anos foi comemorado no último dia 25 de janeiro com uma programação especial que relembrou o pioneirismo da emissora e que incluiu o lançamento de um livro com sua história - Av Paulista 900: a história da TV Gazeta - escrito pelo pesquisador Elmo Francfort.

A Gazeta, que transmite no canal 11 (VHF) de São Paulo, foi inaugurada em 1970, nas comemorações pelo aniversário de 416 anos da capital paulista. Com um parque de equipamentos avançado em relação às concorrentes, a TV desde o início pautou-se pelo pioneirismo e pela tradição esportiva herdada dos outros veículos da Fundação Casper Líbero, sobretudo a Gazeta Esportiva. Em 14 de março de 1972, a emissora veiculava o primeiro programa regular em cores na TV brasileira, o semanal Vida em Movimento, apresentado por Vida Alves. No dia 30 do mesmo mês ia ao ar (com retransmissão pela Rede Globo) o 1º Grande Premio Brasil de Fórmula 1, direto do autódromo de Interlagos.

Com a experiência adquirida, a Gazeta colaborou na implantação da TV a cores na Argentina. Foi uma equipe da emissora que, em 1975, levou as imagens do primeiro Festival Internacional do Folclore para os telespectadores do país vizinho, através da TV Belgrano, de Buenos Aires.

Nascia assim uma tradição que unia pioneirismo ao trio jornalismo, esportes e variedades, que se tornaria a essência de sua grade, como destaca a superintendente de programação, Marinês Rodrigues. “Somos uma emissora pequena frente a outras do mercado e temos de basear nossa programação naquilo em que temos mais competência”. Ela conta que a emissora definiu uma linha editorial focada na produção de conteúdo de variedades, fortemente dirigida ao público feminino, mas sem deixar de lado o jornalismo e os esportes.

Abertura de conteúdo

Nos anos 1980 a Gazeta passou por uma fase de abertura ao conteúdo para criadores externos à emissora. Produtores independentes como Goulart de Andrade, com seu 23ª Hora e Fernando Meirelles, com o TV Mix, compunham a programação. Sua qualidade pode ser avaliada pelo peso dos nomes que passaram pelas câmeras da emissora, como Fausto Silva, Sérgio Groissman, Astrid Fontenelle, Luís Nassif, Paulo Markun e Silvia Poppovic. Essa também foi uma fase marcada por problemas administrativos.

Esporte no ar

A tradição nos esportes está presente na programação desde os primeiros anos de transmissão. O pesquisador Elmo Francfort lembra que em 1971 a emissora foi líder de audiência, superando a TV Globo, durante a transmissão do mundial feminino de basquete. Na época, não era comum a cobertura televisiva de outras modalidades que não o futebol. Essa experên-
cia inovadora acentuou a vocação esportiva da emissora. “A Gazeta herdou essa tradição esportiva da Gazeta Esportiva, talvez o maior expoente dessa expressão seja a Corrida de São Silvestre”, lembra Elmo, referindo-se à corrida que é realizada na cidade no último dia do ano, transmitida pela Gazeta desde a criação da emissora. “A prova foi uma criação do próprio Cásper Líbero em 1925 e antes era exibida pela TV Tupi. Desde os anos 1980 é veiculada também pela TV Globo”, lembra. A Gazeta foi a pioneira na TV a cores no Brasil, em 1972, antes mesmo da Rede Globo

A Gazeta ainda inovou com o primeiro programa de debate esportivo. Precursor do atual Mesa Redonda, o programa Futebol é com o Onze reunia onze personalidades para discutir futebol, sob o comando do apresentador Milton Peruzzi. “Imagine o clima de uma mesa de debate de futebol com onze pessoas, se hoje, com metade disso já é difícil”, diverte-se Elmo. Em 1985, entra no ar o dominical Mesa Redonda, atualmente apresentado por Flávio Prado. Para Francfort, “a Gazeta se tornou um canal especializado em esporte muito antes de a TV Bandeirantes se auto declarar o canal do esporte”.

Novas atrações

Os programas que tiveram longa vida na emissora não se limitam à área esportiva e nem são obras do acaso. Marinês Rodrigues ressalta a importância do planejamento antes de colocá-los no ar: “Fazemos isso para não lançar inúmeras atrações que daqui a três ou quatro meses nós tenhamos de cancelar porque não deram certo”, explica. A superintendente crê que o ideal é evitar o excesso de mudanças, muitas vezes comum nas outras emissoras comerciais. Uma atração retirada do ar nessas circunstâncias é um incômodo para o público e para os anunciantes.

Exibido desde 1980, o Mulheres é o maior exemplo de longevidade na casa. O programa começou, de fato, na década de 1970 com Clarice Amaral em Desfile. A apresentadora havia entrado como garota propaganda e acabou fazendo sucesso na TV ao vivo. Após sua saída, o programa foi rebatizado como Mulheres em Desfile, sob o comando de Ione Borges e de Ângela Rodrigues Alves. Ainda no primeiro ano, Ângela foi substituída por Claudete Troiano. As “parceirinhas”, como ficaram conhecidas, atualmente apresentam o Manhã Gazeta. Juntas, consagraram Mulheres, hoje comandado por Cátia Fonseca.

Alta definição

Marinês ainda avisa que a rede está às vésperas de uma nova fase: 2010 será marcado como o ano da TV em alta definição. Apesar de já transmitir em sinal digital high definition, a emissora aguarda agora a chegada de equipamentos que irão permitir a captação e edição dos programas já nesse formato. “Vai mudar a maneira de se produzir televisão. Estamos ansiosos para viver essa transição e a partir daí poder reavaliar nossa capacidade de produção de novos conteúdos”, explica. A superintendente ressalta ainda que, além de reforçar a programação atual, a emissora busca novos horizontes: “Mantendo sempre os pés no chão estaremos preparados para novos desafios”.