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19/02/2010 - 18h57 - Atualizado em 08/02/2012 - 04h29

Aplicativos para celulares

Daniela Osvald Ramos, Professora de Novas Tecnologias da Comunicação

Dispositivos móveis são suportes para narrativas pessoais e em rede

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Recentemente fiz a necessária migração, ao menos para quem de alguma forma trabalha com conteúdos digitais, do anacrônico “celular” para um iPhone. Perdi alguns dias questionando qual aparelho escolher, um Nokia E71, que parece um BlackBerry, ou o novo Motorola Dext, que vem com o Android 2.0, sistema operacional da Google para celulares. Mas pelo que ouvi de colegas do meio, o iPhone liderava as preferências. Com o lançamento do iPad e depois de testar o Nokia E63, achei que a questão estava fechada. Parece uma dúvida leviana para quem trabalha com internet desde 1995, mas a questão “investimento” pesou na hora de dar o grande passo.

Resultado: menos de uma semana depois de ter recebido o aparelho, me tornei uma adicta da App Store. Vários aplicativos depois, cheguei a algumas questões sobre o uso de dispositivos móveis conectados em rede:

1) Apesar do acesso à internet por celular ainda ser artigo de luxo no Brasil, quem trabalha ou gosta dos meios de comunicação digitais precisa garimpar o melhor preço e assinar um serviço;

2) O touch screen não é a interface do futuro, é a interface do presente. A Apple já entendeu isso há muito tempo;

3) Os aplicativos para celulares, especificamente o iPhone, variam de U$ 0,00 a U$ 12,99, na maioria. Eles são a nova segmentação de conteúdo digital. O blog da professora e pesquisadora de mídias digitais Daniela Bertocchi, iPhone de Mulher, aponta para esta nova atividade. Em uma rápida busca no Goole, encontrei também o Blog do iPhone e o AppStore  Blog, especializado em jogos. Está aí uma nova função para jornalistas: filtrar, categorizar e testar aplicativos para dispositivos móveis de comunicação em rede.

4) E o Jornalismo? Baixei aplicativos do Estadão, CBN, o argentino Clarín.com, a revista Trip, só para citar alguns. A grande mídia, ou a mídia tradicional, como preferirem, ainda não entendeu que o termo “aplicativo” existe porque precisamos “aplicar” algo ao seu uso. Por exemplo, o aplicativo gratuito Echofon facilita o acesso ao Twitter, que está na web. Ele aplica novos recursos e facilita a interação. Nos aplicativos da grande mídia, a interface é sempre a mesma e não há nada aplicado, mas uma reprodução da web no Iphone. Como comentou nosso ex-aluno Daniel Gasparetti (@dgasparetti) no Twitter, “a web reproduz o impresso e o iPhone reproduz a web”, em matéria de apps. Exceção seja feita à Globo.com, que disponibiliza um aplicativo fácil de usar para a prática do jornalismo colaborativo, o “Globo Eu-Repórter”. O “Globo Em Fotos”, por sua vez, traz uma narrativa diária somente através de fotos – senti falta das legendas ou títulos básicos. Outra exceção é uma rádio de tango personalizada, produzida e comercializada pelo Clarín.com a U$ 0,99.

5) Os aplicativos com a funcionalidade de gerar bancos de dados pessoais, nos quais inserimos algum tipo de dado diariamente (consumo de calorias e dietas, orçamento doméstico, diário de enxaquecas, por exemplo) são uma nova forma de produzir narrativas altamente personalizadas.

Histórias em quadrinhos, livros, vídeos, áudios são narrativas tradicionais facilmente encontradas no universo digital. Mas os aplicativos parecem gerar narrativas de outra ordem, cujos princípios já foram enunciados por Lev Manovich: modularidade, representação numérica, variabilidade, automação e transcodificação. Cabe a nós entendermos o alcance destas mudanças e trabalharmos para um Jornalismo cada vez mais digital.



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